Túnel do Tempo (parte 4)

By Resistente

Em crise inflacionária, Chávez quer estatizar mercados e tabelar preços
A inflação na Venezuela está alta (atingiu 2% a mês). Há desabastecimento de produtos básicos nos supermercados, como carne, leite e açúcar. E para piorar o governo criou uma tabela de preços -ao estilo do Plano Cruzado adotado no Brasil nos anos 80- que não está sendo respeitada.

AHAHHAHAHAHAHHAHAHAHHA EU JÁ SABIA!!! E nem precisava ser economista pra saber.

Sem brincadeira, depois de 5 anos de José Sarney qualquer brasileiro morre de rir quando vê falar nessas coisas.

10 Respostas para “Túnel do Tempo (parte 4)”

  1. Teixeira Diz:

    Não considero preocupante essa taxa de inflacção. Atente-se aos nºs europeus.

    “De acordo com as previsões económicas do Outono estabelecidas pela Comissão, o crescimento económico deverá, em 2006, atingir 2,8% na União Europeia e 2,6% na Zona Euro, contra as taxas de 1,7% e 1,4% registadas em 2005. Os estímulos principais são o forte crescimento da procura interna, nomeadamente do investimento, e o crescimento global sustentado. A actividade económica deverá registar um ligeiro abrandamento em 2007 e 2008, reflectindo as perspectivas mundiais, nomeadamente o afrouxamento previsto nos Estados Unidos. Contudo, nos próximos dois anos, a taxa de crescimento do PIB deverá manter-se próxima da taxa potencial (UE: 2,4% em 2007 e 2008; Zona Euro: 2,1% em 2007 e 2,2% em 2008). No conjunto, a UE deverá criar 7 milhões de postos de trabalho no período de 2006-2008 (5 milhões na Zona Euro), contribuindo para o aumento da taxa de emprego de 63¾% em 2005 para 65½% em 2008 e, simultaneamente, para a baixa do desemprego, que passará de um pico de mais de 9% da população activa em 2004 para 7,3% em 2008 (7,4% na Zona Euro). As previsões para 2008 apontam ainda para uma redução progressiva da inflação na Zona Euro, abaixo do limiar de 2% estabelecido pelo BCE.”

    http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/06/1508&format=HTML&aged=1&language=PT&guiLanguage=en

    [[]]

  2. Resistente Diz:

    Teixeira…

    Tem dados muito importantes pra você observar. A primeira delas é que a inflação na zona do euro deve ficar em 2% AO ANO, enquanto as taxas da Venezuela estão crescentes em 2% AO MÊS, o que anualizado de forma composta atinge quase 27% AO ANO.

    Ou seja, um produto aumenta na Venezuela em um mes o que na europa demora um ano pra aumentar.

    No Brasil a nossa taxa inflacionária é de coisa de 3% ao ano, mas já chegou a 2.000% no governo Sarney (final da década de 80), claro, numa época onde a inflação global também era muito maior. Tudo isso que o Chávez está fazendo na Venezuela já foi feito aqui de forma idêntica e até hoje sofremos as consequencias, por isso todos os brasileiros riem do Chávez.

    As taxas de crescimento Européias na casa dos 2,5% estão muito satisfatórias para economias mais maduras. É bem diferente do nosso caso, já que somos considerados países emergentes. Então você deve comparar as economias maduras entre si e as economias emergentes entre si. O Brasil foi o penúltimo da América Latina, o último dos BRICs e o último dos emergentes. Que tal?

    Os números da economia européia de um modo geral me parecem bem sadios. Principalmente porque a europa colhe os frutos de governos de postura de esquerda na Alemanha e na França, dois habituais motores da economia européia que estavam agindo mais como âncora do que como motor.

  3. Teixeira Diz:

    Resistente,

    acho que me distraí um pouco com esses nºs da Venezuela. É que de facto olhei para eles como sendo anuais… bronca minha. :D

    Bom, sendo mensais só posso pensar em enviar uns kilos de arroz para os venezuelanos…eles bem que vão precisar.

    Que abuso de inflacção. Intriga-me o que estará a ser feito para escoar o petróleo que eles possuem. Deixou de existir exportação?

    Chavez, assim não vais longe.

    [[]]

  4. Resistente Diz:

    Vai longe. O Sarney ficou 5 anos aqui no Brasil e nos custou até hoje. Como sempre a esquerda agrada no inicio e quando sai é um desastre…

  5. giovan nardelli Diz:

    A brincadeira é mais complexa do que parece…
    Sarney foi o presidente que fez o Brasil crescrer… no ápice, o país crescreu em um ano 7,5 % (acima até do índice mundial).
    FHC mudou a cara do país, é bem verdade, com o Real, mas o crescimento chegava a pífios 2,6% ao ano. Mas ele tem desculpa, a conjuntura internacional tava uma porcaria e o grande Crash de 1998 das bolsas asiáticas prejudicavam muito o país.

    O grande fiasco, sem sombra de dúvida, fica para Lula mesmo. O mundo cresce e só o Brasil padece. Manteve a taxa de crescimento de FHC, mas sem nenhuma inovação, como o plano real ou incentivos à educação.

    O fato é que nós brasileiros estamos vivendo esse grande fiasco, e o prejuízo está mesmo por vir.

    Quanto a venezuela, ao que me parece é a maior taxa de crescimento da América, então uma inflação de 2% ao mês não me parece tão prejudicial, já que o Brasil de Sarney crescia a um ritomo estonteante, com uma inflação de 2000%.

    Não to defendendo nem apoiando, mas apenas trazendo à baila tais informações.

  6. Teixeira Diz:

    De uma forma neutra e sustentada em gráficos comprovados aconselho leitura de “POLÍTICA MONETÁRIA”.

    “EM AMBIENTES DE INFLAÇÃO ELEVADA, A TAXA DE JURO DEIXA DE SER REFERÊNCIA NÃO APENAS PARA AS DECISÕES DE CONSUMO , MAS PRINCIPALMENTE PARA AS DECISÕES DE INVESTIMENTO”

    Ocorre que estes corrigem suas expectativas futuras com base na experiência presente. Isso significa que reduções da taxa de juro podem induzir maiores taxas de gasto e investimento.
    Mas, se esse movimento da política monetária for sucedido por aumentos da taxa de inflação em um segundo momento, os mesmos agentes tendem a não responder da mesma forma a novos estímulos da taxa de juro. Isso torna efêmero o expediente da redução da taxa de juro sem o controle da inflação. E persistindo-se nesse expediente, os agentes passarão a adoptar comportamentos não apenas corretivos, mas até defensivos e antecipados. Desse modo, torna-se presente a indexação, mesmo que informal, de preços e salários.
    Estímulos da política monetária, neste caso, passam a ser não apenas ineficazes, mas também inócuos.

    Por fim, se a justificativa da tolerância com a inflação está na promoção do crescimento para possibilitar a geração de empregos e uma sociedade mais justa do ponto de vista social, vale lembrar que a busca pela justiça social passa longe da alternativa inflacionária. Primeiro porque a redução da taxa de juro tende a não se mostrar eficaz para a geração de empregos senão a curto prazo. Segundo, porque se há uma relação entre taxa de inflação e justiça social, ela é negativa, como sugere a relação exposta no gráfico de Gini e a taxa de inflação, e não o contrário.”

    in, revista FAE BUSINESS nº9, setembro de 2004 por Luís Afonso Fernando Lima, Economista do Banco Bradesco

    LINK PDF: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_fae_business/n9/03_politica_monetaria.pdf

    __________________________________________________________

    Como sabem, é claro que eu não defendo particularmente esste tipo de economia capitalista, mas há muito que estou consciencializado da importancia de saber lidar com o contexto económico-social vigente no planeta.

    Chavez ao que parece estará a entrar na fase em que os agentes económicos se retraiem de investir depois de um primeiro boom tal como o texto acima exemplifica. Ora a única salvação económica para Chavez, passa pela sua esperança em conseguir atrair capital diferenciado daquele com que a Venezuela sempre lidou e que passava por ser uma hiper exportador para os EUA. Actualmente, tenho reparado nas suas ligações ao Irão, á China, á própria Russia…e claro, Brasil, pelo que tenho visto aqui no Resistencia.

    Será que vai conseguir? Espero que sim. Tudo o que fizer mossa nos EUA eu apoio.

    [[]]

  7. Teixeira Diz:

    “Apesar de disputas, comércio EUA-Venezuela se fortalece

    Indústria do petróleo responde por 90% das exportações venezuelanas

    Se você acompanhou a troca acalorada de insultos entre a Venezuela e os Estados Unidos nos últimos 12 meses, poderia ser facilmente perdoado por assumir que a relação comercial entre os dois países é igualmente frágil.

    Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, lança ataque atrás de ataque contra a Casa Branca, e vice-versa, o comércio entre os dois países está na verdade se fortalecendo.

    Mais info em:

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/01/070102_venezuelaeuacomerciorw.shtml

    [[]]

  8. Resistente Diz:

    Nardelli, socorro! O Sarney não fez o Brasil crescer de forma alguma! O crescimento de mais de 7% em 1985 não se deve a ninguém que não seja o presidente Figueiredo e seu ministro Delfin Netto que governaram até março. Quando o Sarney começou a colocar as mãos na economia mergulhamos no pior cenário macroeconômico possível: a estaginflanção comandada pela famosa leva de “heterodoxos” do PMDB e sua inflação de DOIS MIL PORCENTO ao ano do Plano Cruzado – que o Chávez está imitando.

    Teixeira, quanto ao seu texto infelizmente se mostrou totalmente ineficiente no Brasil. Essas teorias foram defendidas pelos famosos “economistas heterodoxos do pmdb” aqui. Não sei se você conhece nossa história recente, mas tivemos um governo militar de 1964 até 1985, quando tivemos um época de grande prosperidade econômica. No início da década de 80 a segunda crise de petróleo (pior que a primeira) e a crise mundial de crédito fizeram o Brasil entrar em recessão com crescimento negativo de até 2%.

    Felizmente essa recessão foi revertida e em 1985 tivemos crescimento de mais de 7%. Com um novo governo de José Sarney , o primeiro civil em 20 anos, os gastos começaram a sair completamente do controle e a inflação disparou. Todos os economistas monetaristas (escola em total predominio hoje em dia) sabem que não há cura indolor para inflação, mas nosso presidente inventou os “economistas heterodoxos” que acabariam com a inflação sem uma política monetária e fiscal austera. Congelou preços, puniu quem os aumentou, cortou zeros e aumentou os salarios. Deu também uma moratória na dívida externa. Mas os gastos públicos continuavam os mesmos. O resultado? Escassez de produtos, mercados negros e inflação ainda maior.

    Em 1990 assumiu Fernando Collor, que garantia ter uma “bala de prata” indolor contra a inflação que estava em niveis estratosféricos. Mudou o nome da moeda, cortou zeros e chegou ao cúmulo de confiscar o dinheiro da conta do povo. Um dia o pessoal acordou e o presidente tinha tirado todo o dinheiro do banco de todo mundo. É claro que não deu certo e o Collor acabou caindo na desgraça do povo e sofrendo processo de Impeachment por corrupção.

    Assumiu então seu vice, Itamar Franco que prometeu cuidar da inflação com responsabilidade e medidas ortodoxas de sempre. O processo foi comandado pelos ministros Rúbens Rícupero e Fernando Henrique Cardoso que depois de quase 10 anos de inflação absurdas resolveram fazer o que todo mundo sabia que tinha que fazer: utilizar-se dos instrumentos de política monetária. Cortou-se gastos, privatizou-se, a taxa de juros foi a 40%, o cambio passou a ser controlado num primeiro momento, o compulsório e a taxa de redesconto também foram ao teto. Pra resolver a “inflação inercial” o governo criou uma moeda transitória chamada URV e depois criou o REAL. Desde então o país conseguiu baixar gradualmente a inflação e há coisa de 14 anos nós gozamos de estabilidade monetária.

    THE END.

    Espero que agora você entenda porque o Brasil tem medo dessas medidas a la Chávez. Nós sentimos isso na pele e o povo mais pobre é quem mais sofre com essa inflação.

  9. Teixeira Diz:

    Resistente,

    muito obrigado pela paciência demonstrada para me situar na história recente do Brasil.

    Conheço os traços gerais dos últimos 40 anos, mas sem grande profundidade ao nível económico. Tirando talvez a fase do Collor que foi amplamente discutida em Portugal.

    Também aqui, por altura da ditadura fascista de Salazar (só o facto de escrever o nome me dá vómitos), tivemos uma moeda forte á imagem da maioria das ditaduras de direita. Mas também foi nessa época que tivemos o maior atraso social de toda a história do país. Eramos ricos em reservas de ouro mas existia uma única estrada entre as principais cidades lusas( Lisboa e Porto). O povo fugia da fome para paises como a França a pé (!!!) ou escondidos em caixas de carrinhas que faziam contrabando com a Espanha de Franco. Foi a época do “orgulhosamente sós”…

    Com a queda do “estado novo” em 1974, por via da acção de uma esquerda clandestina e militares insurrectos (revolução dos cravos), a liberdade de expressão trouxe no inicio uma ampla crise institucional mas moderando-se a partir da nossa entrada para a União Europeia em 1986. As sucessivas governações de centro-esquerda e centro direita desde essa data não tem sido suficientes para nos colocar numa posição confortável em termos económicos. Com a chegada da moeda Euro ficamos sem a hipotese de poder mexer no valor da moeda. Estamos “reféns” do Banco Central Europeu e das suas políticas neo-liberais.

    Isto para dar o exemplo paralelo ao vosso trajecto económico.

    Ora, o texto acima referido é na minha apreciação de não economista (logo total ignorante nestas matérias), defendido por muitos desses neo-liberais de cartilha. Curiosamente a sua autoria até é de um brasileiro que nem conheço. O texto vai contra aquilo que se está a praticar na venezuela, daí a minha chamada de atenção no final do mesmo para o facto de eu não concordar com os seus efeitos sociais mas ainda assim convencido por via de seus gráficos exemplificativos como o de Gini.
    (disponivel no PDF).

    Mais tarde, num outro texto, achei interessante o facto de a Venezuela ao contrário do que eu entendia ser possivel até que tem reforçado as suas transacções com os EUA, apesar da clara tentativa de criar laços com paises como a China, Russia ou o Irão. Dizem os especialistas que Chavez necessita de mais 10 anos assim para pensar em largar a ligação aos EUA, o que me mete a pensar que será demasiado tempo para uma economia que está inserida numa época em que não +pode haver meio termo.

    Concluindo, os textos que apresentei atrás até que lhe dão mais razão a si (Resistente) do que própriamente a mim.

    Sem mudar as minhas linhas orientadoras mas convencido da mais valia desta discussão, despeço-me por enquanto com um forte abraço.

    [[]]

  10. Teixeira Diz:

    errata: quando me refiro ao texto acima referido quero óbviamente aludir ao texto em PDF do economista brasileiro do Banco Bradesco.

    :)

Deixar uma Resposta